A Saúde Mental precisa da atenção do poder público.

Tive contato com um dado alarmante: 10% da população mundial tem algum tipo de doença mental. Só na cidade do Rio de Janeiro, nada menos do que 15 mil pessoas vem recebendo algum tipo de acompanhamento das equipes da rede municipal de saúde. Sou ex-jogador de futebol, e quando deixei os gramados, enfrentei a depressão e a síndrome do pânico. Todos podem sofrer algum problema relacionado à psiquiatria, e por isso, o tema é tão importante.
Justamente para traçar um panorama do assunto, formei a Frente Parlamentar de Saúde Mental na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, e promovemos um debate público para nos aprofundar neste sentido. Estiveram na Casa representantes do Ministério da Saúde, Secretaria Municipal de Saúde, Associação Brasileira de Psiquiatria, associações de pacientes e familiares, e muitos servidores e usuários do sistema. Até a parte da religiosidade foi abordada. Além disso, estamos programando uma série de diligências nas 33 unidades de atendimento à saúde mental no Rio de Janeiro para averiguar a real situação em que se encontram esses estabelecimentos.
A intenção desta Frente Parlamentar é somar forças, e assim conseguir assegurar na legislação municipal e no atendimento público a melhor assistência em saúde mental possível. Nesses primeiros meses da legislatura, tenho buscado avançar no tema com propostas sérias, como conferir Utilidade Pública à própria Associação Brasileira de Psiquiatria (Projeto de Lei nº 143/2017) e a extensão do Plano Municipal de Prevenção ao Suicídio (Projeto de Lei nº 53/2017), que dentre as ações a serem tomadas terá a promoção de palestras em todo o mês de setembro, que é direcionado aos profissionais de Saúde e cidadãos que desejam conhecer mais sobre o tema.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a depressão será a principal doença mais incapacitante do mundo até 2020, estando o Brasil no desonroso 5º lugar do ranking de países com maior incidência da doença. Além disso, o Brasil tem a maior taxa de transtorno de ansiedade do mundo. Quando o assunto abordado é o suicídio as taxas também alarmam: uma pessoa a cada 40 segundos comete suicídio no mundo, ficando o Brasil com a 8º colocação entre os países com maior incidência desse lastimável evento.
No Brasil como um todo, sobretudo no Rio de Janeiro, os antigos hospitais psiquiátricos foram gradualmente sendo fechados. Os pacientes voltaram para suas famílias ou foram morar em residências terapêuticas, sendo acompanhados por equipes de profissionais de diversas áreas nos CAPs. Alguns deles funcionam 24 horas por dia, o que favorece o atendimento em caso de surto ou necessidade urgente.
Precisamos também prevenir o suicídio, que hoje é subnotificado. Muitos casos são registrados como “intoxicação” (no caso de abuso de remédios) ou “acidente de trânsito” (quando a pessoa se joga na frente de veículos), por exemplo. Outra informação é que o Ministério da Saúde não aplicou todos os recursos disponíveis para investir neste setor. Nós, do Legislativo, temos que pressionar o Executivo a mudar esta realidade.
Felipe Michel.

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